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ENTREVISTAS

MANUEL SOARES DE OLIVEIRA EM ENTREVISTA

POR CRIAZINE 12 NOV 2015

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O Manuel é um nome incontornável dos últimos anos da publicidade em Portugal. De um momento para o outro ficou com a Mosca atrás da orelha e decidiu abrir a sua agência. Diretor Criativo da Mosca Publicidade é também Presidente do Júri de Briefing Aberto dos Lusos, nesta entrevista fala conosco nestas duas qualidades.

 


O Manuel lançou recentemente o seu novo projecto chamado Mosca. Quer falar-nos um pouco da sua nova agência?


A Mosca surge da vontade de fazer uma agência diferente e irreverente. Não é a primeira agência que começo, mas senti que o mercado estava diferente e que haveria lugar para uma nova geração de agências. O mercado evoluiu das agências tradicionais para as agências digitais. Mas os anunciantes cedo perceberam que o digital era só mais um meio e não o destino. E novamente, o que tem impacto nesse novo meio é a ideia. Depois de uma fase de deslumbramento com esta nova tecnologia voltámos a valorizar a ideia. Por isso, quis criar uma nova agência com criativos nativos do digital mas com o foco no poder da ideia nos vários meios. Uma nova agência irreverente para anunciantes com coragem para arriscar.


O mercado português tem visto várias agências independentes a assumirem imenso protagonismo. Como se explica este fenómeno?


Quando lançámos a minha primeira agência em 1999, publicámos nos jornais um anuncio de página inteira que dizia: “Tudo o que uma grande agência tem, menos a comissão para o americano”.  Nessa altura começou a surgir uma nova geração de agências independentes e nacionais num mercado dominado pelas agências multinacionais. Éramos os guerrilheiros contra o exército napoleónico. Poucos apostaram em nós e foi difícil convencer os anunciantes que viviam uma fase de deslumbramento com as agências multinacionais. Desde 2000 vimos surgir várias agências nacionais com o foco na criatividade que vieram mudar este paradigma.

Nos últimos anos, as agências digitais ganharam protagonismo em detrimento das agências tradicionais. É uma questão de percepção e realidade. As agências tradicionais também se tornaram fortes no digital, mas o anunciante associava o digital às agências digitais. Foi uma fase em que se gastou rios de dinheiro em aplicações perfeitamente inúteis e em sites com muita tecnologia e nenhuma ideia. Entretanto o que tinha mais sucesso no digital continuava a ser o display, que mais não é que uma boa ideia num meio digital. É a velha história do “Rei vai nu” em que ninguém quer dizer a verdade para não parecer antiquado. A nova geração de agências que tem surgido já nasce descomplexada da relação do digital com os meios tradicionais. Alguns dos maiores sucessos da Mosca foram trabalhos no digital, mas eram simplesmente uma boa ideia criativa que utilizava esse meio.


Recentemente aceitou o desafio de ser Presidente de Júri da Categoria de Briefing Aberto, dos Lusos. Que significado teve este convite?


Significa bastante pois é sempre bom ser reconhecido pelos nossos pares. Nunca liguei muito ao meio dos criativos pois não tenho muita paciência para vaidades, guerrinhas de egos e falsos orgulhos. Gosto de fazer e de criar. Mas com a idade, vamos ficando pussies e gostamos de ser reconhecidos. Afinal já são muitos anos disto, com duas agências criadas e alguns prémios pelo caminho. Sempre sem nunca perder a tusa por um bom briefing.


Na sua categoria irá avaliar não trabalho de agências, mas sim de profissionais, estudantes e jovens criativos. Que critérios pedirá à sua equipa de jurados?


A categoria de Briefing Aberto acaba por ser a categoria mais honesta de todas, no sentido em que as peças que são apresentadas foram criadas para concorrerem ao prémio e não são falsos fantasmas. O critério será sempre o do poder da ideia.


Como olha para esta iniciativa dos Lusos. É importante unir estes mercados de língua portuguesa?


Os Lusos têm vindo a afirmar-se no panorama internacional e permitem um maior conhecimento entre as agências do mercado lusófono. Prevejo que cada vez mais será um dos festivais de criatividade mais prestigiados.

 

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