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Não li o briefing

Como ser criativo na publicidade e não ser apanhado.

Não li o briefing

Como ser criativo na publicidade e não ser apanhado.

Sou um criativo

Abril 15, 2014

Manuel Soares de Oliveira

 

- O que fazes na vida ?

- Sou um criativo.

Só isto bastaria para nos fazer pensar duas vezes sobre como nos intitulamos. Criativo é um adjectivo e não uma categoria profissional. Nas agências é costume dividir a equipa entre os accounts e os criativos. Antigamente era mais fácil de os distinguir: uns usavam gravatas e outros não. Na verdade todos os que trabalham numa agência de publicidade deveriam se intitular criativos. Fulano é um account criativo, sicrano é um redactor criativo e beltrano é um social planner criativo.

Também as agências de publicidade deveriam deixar de se anunciar como criativas. É óbvio, que uma agência é criativa, é como dizer que um restaurante faz comida. Aliás, sempre desconfiei que as agências que precisam dizer que são criativas, normalmente não o são. Se o fossem arranjavam uma designação mais original. Casa de ferreiro, espeto de pau.

No inicio da minha carreira os accounts eram contratados pelo tamanho do braço. Era este factor que determinava se o account conseguia carregar uma maquete A4 ao cliente. Havia uns account lendários e mais bem pagos pois tinham um braço mais comprido e conseguiam levar uma maquete A3.

Do ponto de vista dos criativos, os accounts são uns gajos maleáveis, papagaios dos clientes e desprovidos de estilo, gosto e integridade. Já os accounts vêm-nos como uns chorões, maníacos, prima donnas com egos frágeis, incapazes de alterar uma ideia mesmo contra todas as evidências. No fundo, os accounts têm razão e eu não sei se os criativos sabem apreciar o que é ser um account. Os melhores criativos e as pessoas mais interessantes que conheci eram ligeiramente desequilibrados, isto sendo piedoso neste julgamento. Também por isso e porque pensam de uma forma diferente da maioria, são as pessoas capazes de fazer a diferença e de estabelecer novos caminhos para as agências. O problema, é que sem os accounts, ficam incapazes de o concretizar.

No entanto, poucos são os criativos, que na verdade, dirigem as agências. É natural que assim o seja, dado a incapacidade dos mesmos em gerir os problemas decorrentes da gestão de uma empresa. Também é verdade que as agências que se destacaram, sempre tiveram criativos nas suas lideranças.

Qualquer pessoa sabe distinguir uma agência de criativos de uma agência de accounts. Enquanto as primeiras tentam se diferenciar e estabelecer novos caminhos, as segundas são agências que prometem um excelente serviço e pouco mais. É verdade, que eles de vez em quando tentam parecer criativos e modernos, mas normalmente o resultado é triste, pois parece sempre uma cópia do original.

Na sua essência, a conciliação destes dois universos antagónicos é o grande desafio das agências de publicidade. Raramente funciona, mas quando acontece, produz excelentes resultados.

Há 3 anos atrás

Abril 12, 2014

Manuel Soares de Oliveira

O tempo passa. Faz agora 3 anos, ainda eu estava na Uzina, saiu para a rua uma das campanhas que mais gozo me deu participar. Ainda tenho o meu papel manuscrito com as frases/ headlines originais para esta campanha, inclusivamente algumas que eu também criei e que não foram utilizadas. Havia uma que era "Melhorar as pensões. Um duche em cada quarto". É importante guardar esses papéis que comprovam a origem da campanha, pois com o passar dos anos, o sucesso tem muitas paternidades. Na altura, a campanha foi desenvolvida com uma das melhores duplas que eu já conheci: o Maurício Santos e o Ricardo Dias e sob a direcção criativa do Gustavo Suarez. Não esquecendo claro, o João Ribeiro, um account como há poucos. Uma campanha pode ter uma ideia original, mas se não há uma equipa como essa, que acredita e materializa o conceito, nada sai do papel. E não sai mesmo do papel se não houver um anunciante como o Licor Beirão. Aqui, o grande mérito foi dele, pois acreditou na ideia, trabalhou contra-relógio para a concretizar e ainda contribuiu para o output criativo. Não conheci muitos anunciantes com essa coragem e ousadia. Na semana passada com a nossa campanha "Café Império/ Dia do Político" da Mosca Publicidade, lembrei-me imenso desta época, embora em ponto pequeno. Foi novamente uma campanha que eu criei e que deu imensas notícias nos jornais e na televisão e que pôs as pessoas a comentar e a partilhar. Não teve o impacto do Futre/ Licor Beirão, mas os meios também foram outros. 

O nosso anúncio no Diário Económico

Abril 11, 2014

Manuel Soares de Oliveira

Este foi dos anúncios que mais gozo me deu fazer nos últimos tempos. Primeiro, porque é um anúncio da minha agência e portanto a responsabilidade é diferente. Em segundo lugar porque é um anúncio de imprensa à antiga, com muito texto e algumas imagens ilustrativas. É um tipo de anúncio em que os americanos eram especialistas nos anos 60 e cuja arte se perdeu. Hoje em dia, um anúncio assim já nem sequer é apresentado ao cliente. Os anunciantes e os criativos acham que basta uma boa fotografia com um bando de hipsters com um ar pateta/feliz ao qual se junta uma frase tipo , " se não estás por dentro estás por fora", e a campanha está feita. Ninguém arrisca e ninguém é despedido e o consumidor é tomado por pouco inteligente. O objectivo deste anúncio de imprensa da Mosca era o de falar com um público que aprecia a ironia e tem sentido de humor. Foram muitos que me mandaram mensagens a dar os parabéns pelo anúncio e pela coragem de o publicar, ainda por cima numa página inteira no Diário Económico. Mas também houve alguns que não perceberam a ironia e acharam  que era mesmo um pedido de desculpas. Infelizmente, a inteligência não é distribuída de uma forma democrática.

A gaja é boa, o anúncio é uma bosta

Abril 11, 2014

Manuel Soares de Oliveira

                                                                               
Quando li o headline " Se chegou a tua hora" pensei que seria um anúncio de uma funerária. Mas depois vi a Diana Superphotoshopada e percebi que deveria ser um anúncio ao Viagra, daí a fotografia do homenzinho atrás com o pau em riste. Ainda não percebi o que é que faz ali aquela coisa amarela que lembra um cagalhão de um cão. Fora isso o anúncio é bom. Keep up the good work Banco BIC.

A primeira Linha

Abril 11, 2014

Manuel Soares de Oliveira

Confesso que já não é o primeiro Blog que começo. Os outros duraram no máximo 5 posts. Pode ser que este dure mais pois é sobre algo que é a minha vida do dia-a-dia. Criar campanhas, anúncios, estratégias publicitárias e criar agências. Ao contrário de muitos colegas de profissão que desprezam a profissão, eu adoro o que faço, e já o faça há muitos anos. Espero neste espaço partilhar alguns pensamentos, algumas notícias e alguns pormenores da minha história nesta profissão. Seja o que Deus quiser

A minha nova agência

Abril 11, 2014

Manuel Soares de Oliveira

                                                     

 

A minha agência actual é a Mosca Publicidade

( www.moscapublicidade.com ) ( https://www.facebook.com/moscapublicidade ).

A Mosca é uma agência de publicidade nova, começou a sua actividade em Novembro de 2013.

No entanto, é um projecto que eu já imaginava há muito tempo. Uma agência diferente, mais criativa, mais ousada, fazendo uso das novas tecnologias e das suas potencialidades. Até agora tem se revelado uma boa aposta. A equipa é excelente e acima de tudo são pessoas com quem eu nunca tinha trabalhado, o que me obriga a pensar de maneira diferente e ver as questões sobre novas perspectivas. Para uma agência que só tem 4 meses já muito conseguimos. Clientes, projecção mediática e uma personalidade para a agência. É só o início, mas promete.

 

 

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